domingo, 27 de dezembro de 2009

Um balanço da política enquanto vista como nuvem: Entrevista especial com a governadora Ana Júlia.




Faltando cinco dias para completar três anos à frente do governo do Pará, Ana Júlia de Vasconcelos Carepa anda às voltas com crises na saúde, sobressaltos na relação com o Legislativo, abalos no convívio com partidos aliados, em especial o maior deles, o PMDB, e críticas pela falta de obras do Estado. Nada disso, contudo, parece estar abalando a autoconfiança da primeira mulher a assumir o mais importante cargo executivo do Estado.

Ana Júlia aposta que será reeleita nas eleições do ano que vem, apesar de admitir que hoje enfrenta índices altos de rejeição entre o eleitorado paraense. Na última quinta-feira, véspera de Natal, um dia depois de comemorar seus 52 anos numa festa que varou a madrugada, a governadora reservou o dia para receber a imprensa e fazer uma espécie de balanço da gestão. A conversa com a reportagem do DIÁRIO, através dos jornalistas Carlos Mendes e Rita Soares, durou mais de duas horas.

Elegantemente vestida com uma saia vermelha (sua cor favorita) blazer cinza, colar de pérolas e cabelo milimetricamente arrumado, a mulher que comanda os destinos do Estado do Pará esbanjou bom humor. Não demonstrou irritação diante de nenhuma pergunta. Falou de alianças políticas, crise na saúde e até da fama de festeira, frequentemente criticada pela oposição.P: A senhora venceu a eleição com o discurso da mudança prometendo melhorar o Estado e fazendo severas críticas à maneira como os tucanos administram o Estado ao longo de doze anos.

Passados três anos do início do seu governo, o que efetivamente melhorou no Pará?
R: Estamos colhendo agora os primeiros frutos da mudança. Mudar o Estado do Pará, o modelo de desenvolvimento, a forma de exploração das nossas riquezas para produzir mais emprego e distribuição de renda não é algo que se faz de forma rápida. É uma mudança demorada. Estamos mudando também no sentido de reconstruir as áreas e as políticas públicas. Essa mudança além de não ser rápida ainda encontra resistências. Nós encontramos resistências, muitos desafios, muitos percalços, mas fomos superando esses desafios e esses percalços. Encontramos um quadro em relação às políticas públicas, como a de segurança pública, completamente sucateada. Tivemos que fazer concursos públicos. Fiz dois concursos públicos, depois de dez anos sem concurso para a segurança.

Dez anos é muito porque o Estado do Pará é um dos que têm a maior média de crescimento. Isso cria um problema seríssimo. Hoje temos mais de 1, 1 mil viaturas entre carros, motos e lanchas que foram adquiridas no meu governo, em três anos. Isso é uma coisa significativa em termos de transformação. Nós vamos ter a partir do final de maio, início de junho mais 1.200 novos policiais e a partir de novembro mais mil. Até o final de 2010, vamos ter 3.700 novos policiais porque já temos 1.500 que estão trabalhando. Esses 1.500 são os que a população sente com maior presença. Agora a questão da violência é algo real, é algo nacional, que existe e que não é um problema de sensação. Mas, estamos trabalhando primeiro na direção de ampliar a repressão e isso significa mudança. Ao mesmo tempo estamos trabalhando nas políticas públicas e isso é uma mudança. Este é um governo que trabalha políticas públicas para inclusão social.

P: A senhora falou que agora estão sendo colhidos os frutos. Não é muito tempo já que o governo vai completar três anos?

E que resistências foram essas a que a senhora se referiu?

R: As resistências vêm de várias direções. Primeiro encontramos uma máquina pública há muito tempo no poder com o mesmo grupo. A gente fez muitas mudanças nas secretarias e nos diversos órgãos do governo. E aí encontra resistência. Segundo, encontramos resistência em setores da imprensa. Isso é claro, até hoje. Porque tem pessoas que estavam acostumadas a uma política pública “que nós vamos fazer grandes obras e não importa se essas obras vão beneficiar a maioria do povo”. Deixa a segurança para lá, deixa sem policial, deixa sem viatura, deixa as escolas caindo na cabeça dos alunos, deixa as delegacias caindo. Neste governo, entre construção e reforma de delegacias foram quase 60. Existia um governo de muita propaganda que encobria todos esses problemas. Foi esse Estado que nós pegamos, completamente desestruturado, com delegacias caindo, com escolas caindo, com uma estrutura de segurança pública péssima, com hospitais em péssimas condições, com índices de mortalidade altíssimos. Mas que era tudo encoberto por uma grande propaganda.P: O problema é que a população espera resultados visíveis...R: Mas os resultados estão aparecendo. A maior parte dos índices da área de segurança melhorou neste ano de 2009. É claro que tinham que melhorar, graças aos investimentos.P: Mas não é esse o sentimento das ruas...R: O sentimento das ruas pode ser diferenciado, mas a realidade é essa. Em compensação, pergunte para pessoas se elas não percebem, que quando chamam a polícia, ela chega mais rápido. Tem mais policiamento na cidade, é claro que elas percebem isso. Nós estamos fazendo um combate, muito firme, muito duro ao tráfico de drogas, crime organizado, até porque, você sabe, que este crime sustenta outros crimes.

P: Pesquisas às quais a senhora provavelmente tem acesso revelam um índice de reprovação do seu governo sempre acima dos 50%. A que a senhora atribui essa rejeição?

R: Olha, não brigo com pesquisa, mas ao mesmo tempo quero dizer que se dependesse de pesquisa eu nem seria governadora e muitos prefeitos não eram prefeitos. Política é como nuvem: uma hora você olha, ela está de um jeito, depois já está de outro. É lógico que meu governo sofre reações imensas.
P: A senhora não fica triste, frustrada com tamanha rejeição?
R: Não tenho essa questão da tristeza. Nós herdamos uma situação como os contratos precários de trabalhos [referindo-se aos temporários]. Milhares de pessoas foram enganadas, iludidas, porque disseram para elas que poderiam ser admitidas no serviço público de forma permanente sem precisar fazer concurso público. Então, se eu não fizesse os distratos, fruto de um acordo entre o Ministério Público e governo anterior, estaria sujeita até ao pagamento de multa. Não é fácil ter que distratar pessoas que estão há dez anos, ou mais trabalhando no Estado. Essas famílias obviamente ficam revoltadas. Hoje há, pelo menos, 20 mil famílias que devem não gostar nenhum pouco do nosso governo porque tivemos que fazer esses distratos. Por outro lado, eu também encontro agradecimentos. Alguns que eram temporários e que tiveram a oportunidade, por meio do concurso público, me agradecem. Quero dizer que não me preocupo. A pesquisa é claro que é um sinal, é uma coisa pra você ficar atenta.

P: Mas, quando a pesquisa é favorável, ela é sempre bem digerida ...

R: Eu não desconsidero [pesquisa]. Ela serve como uma sinalização, um momento de você avaliar, de fazer as mudanças que precisam ser feitas. É por isso que fizemos várias mudanças no governo. Nós temos um problema de comunicação. Isso é concreto. Isso é real. Nós não conseguimos comunicar o volume de investimentos e de políticas públicas que temos feito no Pará. Quando as pessoas tomam conhecimento de tudo que está sendo feito, elas ficam absolutamente surpresas.P: Três episódios que certamente contribuíram para os índices de rejeição foram a morte dos bebês na Santa Casa, a prisão da menina em Abaetetuba na cela com homens, e logo no início do governo, a história da contratação da cabeleireira e da esteticista. Até onde, na sua opinião, esses três casos foram determinantes para aumentar os índices de rejeição a seu governo?R: Tudo depende de como se trata a questão. Reconhecemos o erro. Foi uma orientação indevida do chefe da Casa Militar. E a contratação foi de médico, viu? Não teve contratação de esteticista nenhuma. Foi médico porque eu preciso fazer fisioterapia até hoje por causa do meu acidente [a governadora quebrou a perna durante a campanha]. O governo reconheceu o erro, corrigiu esse erro e tem mais: não houve nenhum prejuízo porque as pessoas não receberam nenhum centavo de salário. Agora, é claro que o meu governo não é o que tem o melhor tratamento da grande imprensa. É um governo que tem reações daqueles que não gostam da forma como governamos para aqueles que mais precisam. Este é um governo que tem como meta maior, como obra maior, cuidar das pessoas. Então situações como essas, é lógico que a imprensa tratou de uma forma sempre sensacionalista. Por exemplo, em 2004 morreram quase 600 bebês na Santa Casa.

Foi o maior índice de mortalidade da história. No meu governo diminuiu o índice de mortalidade. Então, mesmo que a gente lamente qualquer morte de um único bebê, nós vimos que os índices eram muito maiores, e não foram tratados dessa forma. No caso da menina de Abaetetuba, no momento que eu soube da situação, tomamos todas as medidas. O Poder Executivo, aliás, foi o mais firme no sentido de afastar, abrir processos, e hoje esses processos já estão tramitando. Estão no âmbito do Ministério Público e da Justiça. Então, nós tomamos todas as atitudes. Os problemas acontecem e vão continuar acontecendo porque você não consegue estar em todos os lugares ao mesmo tempo. Quero dizer que já vi pessoas em situações muito mais negativas [em pesquisas] ganharem eleição. Isso não é o maior referencial, mas ao mesmo tempo faz com que nós fiquemos atentos, façamos mudanças. Todo governo tem que estar, a todo momento, verificando se ele está atendendo realmente à população.

P: No caso da menina de Abaetetuba, a gente viu pela TV uma postura tímida da secretária de segurança à época sempre no sentido de ‘vamos investigar, vamos apurar’, mas nenhuma medida concreta foi anunciada de imediato . E depois houve a frase infeliz do delegado geral (Raimundo Benassuly) no Senado, dizendo que a menina devia ter algum tipo de debilidade mental...

R: A secretária de segurança, que é uma mulher que tem uma história de vida ligada à defesa dos direitos humanos [Vera Tavares], pode não ter se expressado de forma contundente. Mas, ela sempre foi uma lutadora pela defesa dos direitos humanos. Teve sua vida marcada por isso, portanto, é uma pessoa que também se indignou.

P: Justamente por essa história de vida e pela luta do PT pelas causas sociais é que a aparente frieza chocou...R: Eu, particularmente, não fiquei com frieza. Fiquei extremamente indignada, chocada, tanto que nós pedimos o afastamento imediato de todas as pessoas que pudessem estar envolvidas.P: Mas o processo não deu em nada ainda, ninguém foi punido até agora...R: Veja bem, não sou eu que puno. Existe um processo, que inclusive está no Ministério Público.P: O delegado Benassuly voltou a ser delegado geral. Foi como se recebesse um prêmio...R: Não, não foi premiado, pelo contrário. Acho que uma pessoa erra, paga pelo seu erro. Até quem comete um crime paga pelo seu erro, e depois tem a chance de se redimir. O delegado Benassuly, é um delegado que a própria Ordem dos Advogados do Brasil, quando votou, reconheceu que ele já teria pago pelo seu erro, pela sua atitude infeliz, pela sua declaração. Ele disse uma frase infeliz, mas na hora de agir, foi firme.
P: Por que a médica Maria do Carmo deixou o hospital Metropolitano? Ela afirma que há três meses não havia repasse para o hospital. A demissão tem a ver com essas queixas?

R: Olha, eu não acompanho a organização das OS [organizações sociais que administram os hospitais regionais, incluindo o Metropolitano]. Eu acho que o que a secretária de saúde tem feito um trabalho muito bom. Nós temos tranquilidade de dizer é que os repasses estão sendo feitos. Por exemplo, neste ano o Ofir Loyola recebeu o certificado do hospital escola. Foi reconhecido pelo Ministério da Saúde. E pelo Ministério da Educação, como hospital escola.

P: Enquanto isso, os pacientes têm que procurar atendimento em outros...

R: Hoje eu atendo não só gente do Pará. Atendemos pessoas do Amapá, Amazonas, Maranhão e Tocantins. Portanto, o hospital Ofir Loyola é uma referência não só no Pará, mas uma referência a nível regional. Agora, as máquinas do Ofir Loyola, sempre pararam, porque estão velhas. Quando assumi o governo, o acelerador linear, que é fundamental para o tratamento, estava desde de 2004, nos porões encaixotado, empoeirado.


P: E três anos depois ele não foi implantado?R: Sabe o que acontece: para implantar um acelerador linear, é preciso fazer uma obra de engenharia. Não é só pegar um tijolo e fazer. É preciso uma aprovação da Comissão Nacional de Energia Nuclear. Somente eles é que fazem isso e é uma demora para aprovar o projeto. Depois da obra, instala-se o aparelho, faz-se os testes. Estamos na fase final para começar a funcionar em 2010. Instalado o acelerador linear, vamos ter condições de ter uma máquina de cobalto nova. A usada hoje é a mais antiga do Brasil. Tem mais de 70 anos. O que nós fizemos de bom foi encaminhar pacientes para outros Estados, é algo que se faz, quando você precisa, por isso existe inclusive o TFD [recurso para tratamento fora do domicílio], o que é regulamentado pelo Ministério da Saúde.
P: Tem denúncias chegando às redações de pessoas que levam três meses para receber o dinheiro do TFD...

R: Todas essas questões, estamos resolvendo. São questões que estavam engessadas há muito tempo. O Estado estava travado nessas questões, nós estamos trocando todo o aparelhamento da UTI do Ofir Loyola por aparelhos de última geração. Compramos raio x digital, novo ultrassom, investimos R$ 10 milhões para instalar o acelerador linear.


Na Santa Casa, inaugurei a UTI Neonatal que tinha 22 leitos, hoje tem 40. A UTI adulta da Santa Casa hoje tem equipamentos que muitos hospitais privados do nosso Estado não têm.

P: Recentemente, vimos na imprensa um motorista de ambulância interditar o trânsito porque uma criança em estado grave não conseguia vaga na Santa Casa...

R: A responsabilidade é dos municípios que recebem apoio de ação básica. Cerca de 90% do sucesso do nascimento de um bebê é responsabilidade das prefeituras, porque depende da saúde básica, do pré-natal. Por isso mesmo nós criamos um programa que apoia a atenção básica. Os prefeitos recebem, direto nas suas contas, recursos, fundo a fundo. Por favor, não vamos tirar conclusões de um caso isolado, que pode ter acontecido por erro de quem disse que a criança não podia entrar. Essa não é a orientação do diretor, muito menos da secretária de saúde.

P: Quer dizer que a saúde no Pará está uma maravilha, governadora?
R: A saúde está sendo atendida, trabalhada. Problemas de saúde, não são só do Estado. Há muita responsabilidade do município de Belém, que inclusive tem a gestão plena da saúde.
P: Mas o prefeito é seu aliado político, e a saúde em Belém está um caos...

R: Não estou falando de ser aliado ou não aliado. Eu estou falando de um problema concreto. Todos nós temos que reconhecer que os problemas de saúde não são só no Pará.P: Por que o hospital infantil oncológico não foi concluído?R: Porque nós não podemos fazer as coisas de forma atabalhoadas, como foi feito antes. Começaram uma série de coisas e não concluíram nenhuma. Essa é que é a questão. Nós temos que concluir o acelerador linear, instalar o tomo simulador, todos os equipamentos que nós usamos, pra UTI do Ofir Loyola. Depois de feito isso, vamos trocar máquina de cobalto, aí, nós vamos fazer hospital, porque ele não vai ser mais infantil. Hoje as crianças e mulheres são atendidas [no Ofir Loyola]. Vamos utilizar para ampliar o atendimento.


P: A senhora está pensando em trocar as OS [organizações sociais que administram os hospitais regionais], já que há críticas no governo a elas?

R: A secretária tem cuidado muito bem disso. Ela acompanha as necessidades de gestão. E se não estão fazendo uma boa gestão, tem sido extremamente exigente, para que elas prestem um serviço de qualidade, porque as OS funcionam com recursos públicos.

P: Por que o governo reduziu os investimentos para a segurança no orçamento do ano que vem?R: Não reduziu não.

P: Está no projeto de lei orçamentária, governadora...

R: As pessoas fazem de má-fé ou total desconhecimento. O maior investimento em segurança pública é de pessoal. Só que na rubrica orçamentária isso não aparece como investimento, mas como custeio. Já compramos mais de mil viaturas. É lógico que não vou adquirir mais mil agora. Encontrei seccionais com policiais sem colete à prova de balas. Hoje a realidade é outra. Agora, se não investirmos em políticas sociais, não adianta comprar equipamentos. É preciso dar oportunidade aos jovens. É por isso que nosso governo é da mudança. Só investir na repressão é enxugar gelo.

P: A senhora se arrependeu de ter mandado fazer os kits escolares que acabaram em escândalo e investigação do Ministério Público?

R: Não, não. Vamos fazer de novo. A ex-secretária de educação (Iracy Gallo) me garantiu que o assessor jurídico utilizou como referência a licitação para comunicação. Foi um entendimento. Eles fizeram lá. Mas não temos nenhum problema com relação a superfaturamento. Mas decidi que não vamos fazer da mesma forma. Vamos fazer uma licitação específica.

P: É verdade que a senhora já ofereceu a vice-governadoria na sua chapa para o bloco formado pelo PTB do prefeito de Belém, Duciomar Costa, e para o PR, do vice-prefeito Anivaldo Vale?


R: Nós estamos conversando com todos. Essa questão da definição da chapa não está sendo feita neste momento. Ela será feita a partir de agora. Achamos que a chapa mais ampla possível é melhor.P: Mas o bloco PTB/PR já lançou candidato ao governo [Tião Mirada, superintendente do Sebrae]...R: Repito a frase de que a política é como nuvem. Muda num piscar de olhos. Meu empenho é fazer a melhor chapa, a mais ampla possível.

P: O PMDB, maior aliado do governo, tem feito muitas queixas dizendo que não quer cargo ou emprego, mas espaço para fazer política. O que está faltando para vocês se acertarem afinal?

R: Numa aliança política isso é comum. No meu próprio partido, às vezes, tem problemas. Existe problema sim na relação política entre governo e PMDB. Existe uma situação de desconforto de algumas lideranças.P: Esse desconforto é do governo ou do PMDB?R: Existe problema sim na relação. Se disser que não existe seria desonesto da minha parte. Agora não é nada que não possa ser resolvido por meio do diálogo de uma repactuação. E eu estou apostando nisso.P: Como a senhora define a relação com os deputados?R: Todos os deputados estaduais contam sempre com nossa atenção. Problemas existem nas relações com o legislativo e nosso objetivo é superar todas essas questões, tanto que conseguimos aprovar o orçamento. Tentaram impor uma derrota ao governo e nós conseguimos reverter.
P: A senhora não acha uma derrota um orçamento com mais de 700 emendas e ainda abrir mão de convocar os deputados para o período extraordinário onde discutiram o empréstimo?

R: De forma alguma. Emenda é apenas uma sugestão.P: Então essas emendas não serão cumpridas. É só proforma?R: Vamos cumprir de acordo com as possibilidades do Estado. Se eu tiver os R$ 366 milhões [do empréstimo] será muito mais fácil.P: O PMDB é um bom aliado?R: Não estamos insatisfeitos com os aliados. Achamos que isso faz parte da política. Tem várias lideranças do PMDB que chegam e dizem que querem fechar o acordo. Querem estar junto conosco. Eu quero dizer que o melhor caminho é esse: o caminho de continuar a mudança. É claro que vamos trabalhar muito para que isso aconteça, mas estamos preparados para qualquer cenário.

P: A senhora ainda acredita então numa aliança?

R: Se não acreditasse, não estaria trabalhando para isso.

P: Mas o PMDB está desembarcando do governo. Saiu da Sespa e da Seop, secretaria de obra nenhuma, conforme disse o demissionário Chicão...R: O Chicão podia ter ajudado a gente a conseguir a aprovação do empréstimo de R$ 366 milhões que serve para cobrir perdas dos repasses dos recursos federais [causada pela crise]. Os prefeitos receberam direto na conta e o governo federal disponibilizou o empréstimo para os governos. É dinheiro subsidiado e R$ 30 milhões iriam para a Seop. Não tenho dúvidas de que todos os espaços do PMDB poderão ser retomados. O PMDB continua fazendo parte do nosso governo.

P: Mas o partido vive reclamando está sendo mal tratado e que não há relação de confiança. Diz que o governo não cumpre acordos...

R: Eu tenho relação direta com alguns dirigentes de órgãos do PMDB. Podem falar direto comigo. Os deputados também. Todos os deputados estaduais contam sempre com nossa atenção. Agora problemas existem nas relações com o Legislativo e nosso objetivo é superar todas essas questões.

P: É verdade que o presidente Lula lavou as mãos sobre as relações do governo com o PMDB no Pará?

R: Não é verdade. Eu me orgulho de ter uma relação direta com o presidente, com vários ministros do governo. O presidente Lula está muito disposto a que o projeto do Pará vá no mesmo rumo do projeto nacional. Nós temos a expectativa de marchar juntos e estamos trabalhando de maneira muito firme para isso.

P: O fato do chefe da Casa Civil [Cláudio Puty] ser declaradamente candidato a deputado federal não atinge suas relações com a Assembleia?R: As candidaturas são algo que o partido vai decidir
P: Mas não atrapalha o articulação política?R: Olha, todos dizem que a chefe da Casa Civil do governo Lula [Dilma Rousseff] vai ser candidata.

P: O que a senhora acha do pré-candidato tucano Simão Jatene como adversário?R: Eu não estou preocupada com quem quer que seja meu adversário. Estou preocupada em mostrar o processo de transformação pelo qual esse Estado está passando.

P: Vai dar tempo de mostrar obras [2010 é ano de eleição]? Por que o PAC está tão devagar no Pará?
R: O PAC não está devagar. Está no ritmo de todo o País. As obras já estão aparecendo.P: Os dinheiro do empréstimo de R$ 366 milhões é para novos projetos ou para obras que já começaram?R: Ele é para a contrapartida da obras do PAC como rodovia de Alter do Chão, investimento importante para o turismo.P: Sem empréstimo vai dar para fazer obras?

R: Sem empréstimo vai ficar prejudicado [o cronograma de obras]. Mas sou uma mulher de fé. A maioria dos deputados quer o bem do Pará. É muito ruim para um deputado não aprovar um empréstimo para obras.P: Como a senhora lida com a fama de festeira num Estado com tantos problemas?R: Quem dera que eu pudesse ir mais à festa. Gostaria de poder ir sempre. Isso acontece de forma rara [idas a festas]. Ao invés de criticar o fato de ser uma mulher, mesmo separada, feliz, deviam me apoiar porque essa felicidade se transforma em motivação para trabalhar para o povo. Acho um absurdo que uma mulher, por ser líder política, tenha que abrir mão de sua vida pessoal.
P: A senhora está namorando?R: Não. Mas estou muito feliz independente disso. Hoje a minha grande paixão são os sete milhões e 400 mil paraenses. É com eles que me preocupo.


( Fonte-Diário do Pará)

Um comentário:

Leôncio Conceição disse...

Muito bom seu blog... Parabéns!
Estou te seguindo, depois dá uma passadinha lá no meu!