quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

CLAUDE LÉVI-STRAUSS, FAMOSO ANTROPOLOGO FRANCES PASSOU PELO TAPAJÓS E FOI EMPREGADO DO CORONEL RAIMUNDO PEREIRA BRASIL.


O ano era 1920, despencava o preço da borracha, com isso Coronel Raimundo Pereira Brasil, abandonava os seringais a beira do Igarapé São Tomé, que estavam quase virgens. Ninguém melhor do que o antropólogo francês Claude Lévi-Strauss para reportar uma época memorável.


“O tempo passava, desde que eu havia saído das terras do coronel Brasil, minha alma de adolescente conservara gravada em caracteres indeléveis, a lembrança dessas férteis florestas”O antropólogo Francês reencontra tempos depois, o caboclo Itaitubense Coronel Raimundo Pereira Brasil quando estava hospedado no Grande hotel em Belém.


O renomado cientista Francês que nesse reencontro se reportou ao coronel “como meu antigo patrão” relembra que ele ainda exibia vestígios de sua antiga riqueza. Nesse ínterim o antropólogo pediu para trabalhar novamente nos Castanhais do Tapajós.


Com a benevolência e anuência do Coronel Itaitubense, que lhe lembrara que os seringais estavam abandonados e que só permaneciam lá quem não podia fugir Claude Lévi-Strauss reunindo alguns poucos recursos no ritmo do seringueiro pediu sua aviação nas casas J.Adonias, Adelino G. Bastos e Gonçalves \Pereira e Cia, e se andou para o Tapajó a bordo do Amazon River.


Ao chegar a Itaituba pela segunda vez o antropólogo descreveu o novo cenário “Encontrei Rufino Monte Palma, Melentino Telles de Mendonça, cada um de nós levava cinqüenta homens, nos associamos e vencemos as intempéries da floresta. Encontramos uma população abandonada e taciturna: velhos embrutecidos, mulheres quase nuas, crianças anquisoladas e amedrontadas”.
Após vislumbrar o cenário acima narrado eles construíram os abrigos, depois e pronto reuni seu pessoal, e toda a família, distribuindo a bóia de cada um (se referindo ao kit). ”


Pronto aqui está o cartucho sal e farinha. na seqüencia o antropólogo francês deu as coordenadas” Na minha palhoça não tem relógio, nem calendário, o trabalho começa quando pudermos distinguir os contornos de nossas mãos calejadas, a hora do descanso vem com a noite que Deus nos Deu. Os que não estiverem de acordo não terão o que comer, deverão se contentar com papa de cocos e sal dos brotos do Anajá.


Claude Lévi-Strauss fez o alerta de que as provisões dariam para exatos 60 dias e que nenhum minuto do tempo precioso deveria ser perdido. O antropólogo estava em Itaituba para coletar castanhas, e faz um relato dessas primeiras ações.

” Meus sócios seguiram meu exemplo, e sessenta dias depois, tínhamos 1420 barricas(cada barrica tem aproximadamente 130 litros de castanhas), carregamos as pirogas e descemos com o pessoal necessário até Itaituba”.


Nessa chegada ficou com o antropólogo, Rufino Monte Palma e o restante do grupo, quando eles pegaram o barco a motor Santelmo que ainda ficou por 15 dias. ”Chegando ao Porto do Pimental embarcamos com as castanhas e todo o resto na gaiola Sertanejo, onde em Belém vendemos a castanha a 47 mil réis e 500 o hectolitro(2,30 dólares). Infelizmente morreram quatro na viagem” se lamenta Claude Lévi-Strauss. O antropologo morreu recentemente no Brasil

fato narrado no volume II do livro que conta nossa história através do jornalista Nazraeno Santos,responsável por esse blog.

Nenhum comentário: