Itaituba chega aos 153 anos neste dia 15 de Dezembro com os sonhos de uma menina de Quinze quando debuta e a maturidade de uma mulher de 30 que superou todas as intempéries do tempo e da sua história. Sua pujança, seu gigantismo foi construído e reconstruído pela epopéia de sua gente, de seu povo, que aqui aportou cheio de vontade, de garra sonhos e projetos...
Foi idolatrada por uns, amadas por outros, mas também muito maltratada por alguns que não tiveram a sensibilidade política de cortejar uma bela dama cheia de riquezas e probabilidades de crescimento. Mas indiferente aos ultrajes, determinada Itaituba demoliu todas as pedras e caminhou célere rumo ao desenvolvimento.
Itaituba como uma mãe gentil abraçou a todos os seus filhos naturais e adotivos, escancarou seu ouro seus rios, suas florestas para os Maraenheses (em sua maioria), Cearenses, Paraenses, Piauienses, gaúchos, paranaenses, enfim gente de todos os cantos e recantos desse pais que vieram ´para plantar, garimpar,pescar..., criando aqui outros “Brasis”.
Itaituba mesmo agredida e sua honra e dignidade soube romper os limiares de novos tempos já que antes a colocavam nas manchetes dos jornais como “Cidade sem Lei, Faroeste caboclo”. E reinava absoluta por aqui a lei do silêncio e a democracia era amordaçada no direito da livre expressão na imprensa local, com o processo político sendo igual a uma propaganda televisiva onde um eleitor que pergunta ao coronel a quem foi dado o seu voto e o mesmo responde que não pode revelar porque o voto é secreto.
Hoje ela se traja com o mais belo vestido da modernidade rompendo um ciclo melancólico em nossa política protagonizada por aqueles que prostituiram seu corpo e sua alma política pelo desrespeito ao presente, pelas nódoas do passado e pela indiferença de um futuro que agora se reconstrói numa roupagem nova que definitivamente rompe esse grilhão do atraso...
Agora ao invés as tenebrosas manchetes na imprensa anunciando que três foram mortos e tiveram suas cabeças cortadas como troféu da estupidez humana, as manchetes anunciam criação de Universidades para que ao invés de barrigas, cabeças sejam abertas através dos novos conhecimentos, anunciam programas sociais, concursos públicos, cursos de qualificações, progressão funcional etc.
Pedimos desculpas aos leitores ao relatarmos fatos tão desagradáveis do passado, mas se fez necessária para que entendam que uma historia não se faz impunemente... Ate porque seus protagonistas foram reduzidos a meros coadjuvantes no processo histórico de nosso município.Obs.quem quiser discordar ou concordar fiquem a vontade esse espaço é democrático.
Zeca Tapajós –Filósofo , articulista tapajônico e fiscal da natureza nas horas vagas
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